Desenvolvimento de produto
Engenharia de produto a partir dos princípios fundamentais
Para um fabricante industrial de sistemas de descarga, conduzimos de ponta a ponta a fase técnica mais exigente do desenvolvimento de produto — ideando, modelando, prototipando e testando até um design validado e conforme com a norma.
Anonimizado: realizado para um fabricante português apresentado aqui como “o fabricante”. As figuras são ilustrativas e não contêm dados de cliente nem detalhe de produto identificável.
O desafio
Com a estratégia de produto definida (ver o caso de estudo complementar, Custear a estratégia antes de investir em ferramentas), a válvula de descarga ainda tinha de ser desenhada, prototipada e comprovada. O alvo era uma norma europeia exigente, a EN 14055, que define janelas de aceitação tanto para a descarga cheia como para a reduzida — regidas por efeitos hidráulicos (flutuabilidade, tensão superficial, o efeito de pistão do flutuador) difíceis de prever a partir dos princípios físicos por si só. Errar o mecanismo significa falhar a norma, ou entregar água a mais ou a menos em cada descarga, durante toda a vida do produto.
O que fizemos
- Ideação, modelação e prototipagem — um modelo hidráulico paramétrico calibrado para guiar o design, iteração em CAD sobre um mapa de versões vivo, e protótipos impressos em 3D testados em água em poucos dias.
- DOE, causa raiz e ensaios laboratoriais — uma experiência fatorial 2³ e análise de causa raiz conduzidas na nossa própria bancada, seguidas de um modelo de regressão e uma otimização face à norma europeia de descarga.
Abordagem
1 — Ideação, modelação e prototipagem
Passámos do problema ao hardware em ciclos curtos. Definimos os objetivos funcionais — os volumes de descarga cheia e reduzida exigidos pela norma europeia — e ideámos os mecanismos para os atingir.
Para guiar o design em vez de adivinhar, construímos um modelo hidráulico paramétrico da válvula — volumes, caudais, flutuabilidade, peso e tempo — e calibrámo-lo com medições de bancada. O modelo prevê como cada alteração geométrica move o volume de descarga (subir o flutuador, estreitar um tubo, deslocar o ponto de equilíbrio), pelo que as decisões de design foram tomadas com base em conhecimento físico, não por tentativa e erro.
Depois iterámos em CAD sobre um mapa de versões vivo e imprimimos em 3D cada candidato para o testar em água em poucos dias — diâmetros de tubo, volumes de flutuador, cones de vedação, contrapesos — mantendo o que funcionava e arquivando o que não funcionava. Passadas várias gerações de protótipos, a descarga cheia estava no alvo e o design consolidava-se em torno de menos peças, mais simples.

2 — Provar: DOE, causa raiz, e a nossa própria bancada
Quando os primeiros protótipos ficaram aquém do alvo de descarga, não adivinhámos. Fizemos uma análise de causa raiz, mapeando todos os contribuintes para o volume de descarga — caudais, flutuabilidade, peso, e efeitos dinâmicos como a tensão superficial e o efeito de pistão do flutuador — e testámos os suspeitos um a um.
Para determinar o que realmente controla a descarga, desenhámos uma experiência fatorial 2³ — três fatores (nível de água no depósito, janela de descarga cheia, janela de descarga reduzida), oito ensaios — e corremos todos os testes nós próprios numa bancada, cronometrando cada descarga e medindo o volume e caudal descarregados à mão. Esta é a parte que a maioria das consultoras terceiriza ou salta; nós fizemos o trabalho.

Como os efeitos eram essencialmente lineares, ajustámos um modelo de regressão — um ajuste perfeito no design ortogonal — e usámo-lo para correr milhares de descargas virtuais. Pontuando cada regulação pela distância às janelas de aceitação da norma, uma pesquisa de Monte-Carlo encontrou a regulação mais próxima da norma.
O resultado é uma decisão de produto: uma única regulação de fábrica pode satisfazer tanto a variante de 6/3 L como a de 4/2 L — menos códigos de produto, montagem mais simples, e um caminho para eliminar por completo as janelas de ajuste.
Resultado
Levámos o produto escolhido a um protótipo validado e conforme com a norma, e deixámos ao fabricante um modelo calibrado que lhe permite otimizar regulações sem voltar à bancada. Este trabalho de engenharia seguiu-se diretamente a uma análise tecno-económica anterior que selecionou a estratégia de produto — ver o caso de estudo complementar, Custear a estratégia antes de investir em ferramentas.