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Qualidade & certificação

Garantia da qualidade ao nível olímpico

Quando o Formula Kite entrou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos, em Paris 2024, os fabricantes tiveram de provar que cada hidrofólio de produção cumpria requisitos dimensionais, funcionais e de qualidade de produção extremamente exigentes. A Flying Sardine, fabricante portuguesa de hidrofólios de alta competição, associou-se à Lume para desenhar todo o sistema de garantia de qualidade exigido para a certificação de equipamento olímpico.

O desafio

A International Kiteboarding Association (IKA) e a World Sailing introduziram um extenso programa de certificação para garantir que todos os hidrofólios olímpicos eram fabricados de forma consistente, por uma competição justa e equilibrada para todos os atletas. Os requisitos dimensionais eram extremamente exigentes — muitas características críticas controladas a ±0,5 mm. Medir grandes fólios de fibra de carbono com essa precisão é difícil: as tensões residuais da cura causam spring-back assim que a peça sai do molde, pelo que a forma em estado livre de um fólio não é a sua forma montada. A Flying Sardine precisava de um sistema de controlo de qualidade robusto o suficiente para inspeção a 100% da produção, mas rigoroso o suficiente para resistir a auditorias internacionais independentes.

O que fizemos

  • Uma metodologia completa de controlo de qualidade de produção, da inspeção de receção à certificação final.
  • Uma estratégia funcional de GD&T assente em sistemas de datum que representam a condição real de montagem, mais quatro dispositivos de inspeção maquinados em CNC cobrindo duas famílias de fólios e duas geometrias de mastro.
  • Qualificação estatística de todo o sistema de medição — estudos Cg/Cgk, MSA, Cm/Cmk e Cp/Cpk — mais inspeção visual através de Limit Sample Cards e ensaios funcionais de peso, centro de gravidade e rigidez.

Abordagem

1 — Datums funcionais de medição

Em vez de medir peças compósitas em estado livre, restringimos cada fólio exatamente como seria montado no mastro e na prancha. Essa única decisão transformou uma geometria compósita difícil — que se move assim que se desaperta — num processo de inspeção repetível, baseado em GD&T.

Digitalização a laser de um hidrofólio de carbono, com uma sobreposição de alinhamento a seguir o desvio de superfície face ao datum funcional.
Verificação do perfil de um fólio contra os seus datums funcionais — a sobreposição do scan segue o desvio face à superfície em condição montada, não à forma em estado livre.

2 — Engenharia do sistema de metrologia

Combinámos definição de datums, desenho de dispositivos, gauges calibrados, cálculos automatizados e relatórios num único fluxo de inspeção rastreável — não um conjunto de ferramentas de medição isoladas. Cada um dos quatro dispositivos localiza um fólio nos seus datums funcionais, segura-o com grampos de mola, e lê o desvio dimensional diretamente em gauges analógicos e digitais, em pontos de datum identificados.

Um dispositivo de inspeção de precisão sobre uma mesa de granito, um fólio de carbono fixo no lugar, gauges analógicos e digitais a ler o desvio em pontos de datum identificados, lista de controlo dimensional ao lado.
Um dos quatro dispositivos de inspeção (FSFLOW JIG), com um fólio localizado nos seus datums funcionais (pontos A–D) e lido em gauges calibrados face à folha de controlo dimensional.

3 — Provar o sistema de medição

Um dispositivo só é tão bom quanto a evidência de que mede corretamente. Cada gauge e todo o processo de inspeção foram validados estatisticamente — Gauge Capability (Cg/Cgk), Measurement System Analysis, reprodutibilidade entre operadores, e estudos de capacidade de produção (Cm/Cmk, Cp/Cpk) — antes de o sistema ser confiado para inspeção a 100%.

Capacidade do processo (Cpk)Comprimento de corda1.86Ângulo de torção1.62Desvio ao datum2.04Espessura de parede1.41Interface do mastro1.78
Índices de capacidade ilustrativos por característica — apenas método, não o estudo real do cliente. Cpk ≥ 1,33 é a referência convencional para um processo capaz; todas as características aqui a ultrapassam.

4 — Além da inspeção dimensional

Dimensões por si só não certificam um fólio. Acrescentámos inspeção visual com Limit Sample Cards ao estilo automóvel — padrões de referência físicos para poros, porosidade e defeitos de laminado — e ensaios funcionais de peso, centro de gravidade, e rigidez longitudinal e torsional, considerando a variabilidade natural da construção compósita laminada a húmido.

5 — Apoio a auditorias internacionais

A Lume preparou a documentação técnica, os protocolos e os relatórios usados nas auditorias da IKA e da World Sailing. Para LA2028, viajámos até à sede da World Sailing em Londres para alinhar a nossa metodologia funcional de medição por dispositivo com o novo processo de verificação por digitalização 3D.

Dois hidrofólios de carbono sobre uma mesa por baixo do logótipo da World Sailing, junto a um braço de medição CMM portátil, na sede da World Sailing em Londres.
Na sede da World Sailing em Londres, a alinhar a inspeção funcional por dispositivo da Flying Sardine com o novo processo de verificação por digitalização 3D para LA2028.

Resultado

O sistema de controlo de qualidade foi reconhecido como referência durante o programa de certificação olímpica e tornou-se a metodologia de referência para a produção da Flying Sardine. Entregou certificação olímpica para Paris 2024, apoio ao registo para Los Angeles 2028, inspeção de produção 100% rastreável, medição consistente de estruturas compósitas complexas, e um alinhamento bem-sucedido entre a inspeção funcional por dispositivo e o novo processo de digitalização 3D da World Sailing. A Flying Sardine continua a ser fabricante certificada de equipamento olímpico, apoiada pelo sistema de qualidade de engenharia que a Lume construiu.